3.1.16

RØCOCÓ CONTEMPORÂNEO™




Agradecimentos: mala voadora, Porto



Ingredientes
  • 500 gr de economicismo puro
  • 1 dl de Viagra extra virgem
  • 1 'object (petit) a'
  • 2 copos de estetização da política
  • 250 gr de aura profana do quotidiano (em pó)
  • 2 pacotes de propaganda crítica subliminar
  • 7 gr de Aufklärung da servidão voluntária
  • 6 dl de fé na Pitonisa
  • 20 gr de analfabetismo da alteridade
  • 350 gr de farinha de Arte (só da sacra e apofática)
  • 3 colheres de pluri-indisciplinar (com aroma de baunilha)
  • Mentes formatadas q.b.


Preparação
Na tigela da batedeira coloque o economicismo puro e o Viagra a temperatura ambiente. Bata até levantar em castelo e atingir o ponto Ponzi collapse. Abra o ‘object (petit) a’ e corte até extirpar o mal pela maiêutica. Noutra tigela adicione a fé na Pitonisa ao 'object (petit) a' e reserve. Numa terceira tigela, coloque a Aufklärung da servidão voluntária mais o analfabetismo da alteridade e misture até não haver sapiência que os aprisione. Nesse momento, despeje em cima da mistura, e de um só golpe, os dois copos de estetização da política. Adicione à massa resultante um pouco da farinha de Arte apofática e envolva levemente, até a massa estar pronta a tromper, ensorceler e illusioner. Cuidado para não formar grumos de mística do inefável, da analidade ou do parricídio! Quando a massa ficar homogénea, é hora de preencher as mentes formatadas. Coloque as forminhas posicionadas sobre um tabuleiro e preencha até metade com a massa. Leve ao forno pré-aquecido durante cerca de 25 minutos, mas verifique de vez em quando, pois o tempo pode depender da bricolage de conceitos e atitudes desconstrutivistas. Sirva o Røcocó™ ainda quente e polvilhado com aura profana do quotidiano e espuma de propaganda crítica subliminar.


Para mais crónicas sobre Moda, Tendências & outros Pantones™ da iArte e restantes mercadorias criativas, aderir ao seguinte grupo: OBJECTO AUSENTE.








20.12.15

RØCIPES



Em mês de festins gastronómicos intensos, com os blogs do costume a abarrotar de receitas especiais para pimp'ar o bacalhau ou o molho do peru ou a calda das rabanadas, o Chef Rø não tem rigorosamente nada para vos dizer a não ser: comam! A sério, comam muito. Até rebolar. Até não poderem mais. Até entrarem em coma gástrico. Até "lhe chegarem c'o dedo" (expressão, que adoro, da minha minhota mãe). E comam seja o que for, onde for, como for. É completamente irrelevante se vão seguir a tradição à risca ou se vão pôr ovas de esturjão em cima do bacalhau confitado em azeite de trufa. NOBODY CARES! Por isso, comam tudo a que tenham direito e não deixem que ninguém coma a vossa parte. Comam para esquecer, por exemplo. Mas não se esqueçam nunca de uma coisa importante: NÃO FAÇAM biscoitinhos temáticos como os que aparecem na figura acima... Pela vossa saúde, não façam. Mataram alguém em 2015? Não? Então não façam biscoitinhos temáticos.


Sempre vosso, Chef Røh-øh-øh!

18.11.15

RØCIPES


É o segundo post seguido que faço sobre círculos. O anterior era salgado, este é doce. Mas isso não tem importância nenhuma; o Ferran Adrià deu cabo das bipolaridades culinárias ainda antes de eu ter dado cabo das artísticas. Seguindo: acabou o reinado do triângulo! Hipster food, agora, é circular. A sério! Ou então hexagonal (mas isso deixo para outro post). A esta receita vou chamar RØDELAS DE MAÇÃ, mas a verdade é que não passam de umas básicas "tartelettes aux pommes"; só muda o nome, porque é assim que se faz hoje em dia. Por exemplo: quando for rico, vou abrir uma tarteletteria™. No Poorto, claro! Porque é assim que se faz hoje em dia: 100% parra, 0% uva. Continuando: cortam-se círculos de massa folhada como na receita anterior, picam-se com um garfo, pincelam-se com doce de alperce (aconselho a marca Bonne Maman; já experimentei isto com outras marcas menos "nobres" e foi uma desgraça...), sobrepõem-se gomos finíssimos de maçã Golden Smith (bem verde!, com casca!) que depois se pincelam com sumo de limão. Vai ao forno em cima de papel vegetal a 200º, que aos 10 minutos passa a 180º, e depois é deixar atingir o ponto que vêem na foto (entre 25 a 30 minutos de tempo total de cozedura). Podem ser comidas quentes, mas eu odeio. Frias, dão um ótimo snack em substituição desse monstro transgénico chamado "barrinhas de cereais". A sério, não façam mais isso às vossas vidas; comam RØDELAS DE MAÇÃ!

13.11.15

RØCIPES


BACALHAU LIMIANO

Lascas de bacalhau que podem ser restos de bacalhau cozido de uma refeição qualquer subtilmente refogados em azeite, alho, sal, pimenta preta, louro e cominhos. Um fio de natas batidas no fim para encorpar. Eliminar a folha de louro. Rectificação estratégica de temperos e depois reservar. Dois círculos iguais de massa folhada e picada com um garfo e besuntada com azeite. Recheio de bacalhau no centro com uma fatia generosamente redonda de queijo Limiano por cima. Fechar círculo, lacrar o rebordo, reticularizar a superfície com a ajuda de uma faca japonesa. Besuntar de ovo batido e levar a 190 graus de forno durante pouco mais de 20 minutos. Escrever "acompanha com uma salada verde", rir muito com o disparate e parar imediatamente.

16.9.15

CHEF RØ NA GRALHEIRA

DIÁRIO #2
Retiro da Fraguinha/Manhouce/Candal
19 de Setembro 2011



Notas avulso:
  • Nunca tive dúvidas que era possível "acordar com as cabras". Nunca imaginei é que pudesse ser tão literal. Acordar com as cabras. Sem aspas.
  • E também sem Internet. E sem telefone. E sem morrer de pânico. Nunca imaginei.
  • Para ocupar os tempos de espera, que se alargam infinitamente em redor dos riachos e por entre os rochedos lunares da serra, lentos, quase estáticos, vai-se falando de assuntos que dobram velhas dicotomias. Por exemplo: no campo, tal como na cidade que o efabula (constrói), também já existem restaurantes a imitar o rústico, o tradicional e o autêntico. O campo agora também é campo: ou a espiga de milho de plástico é agora mais real que a espiga de milho que cresce no quintal. O campo a corresponder à imagem do campo. O simulacro de uma simulação.
  • Dois nomes: Manhouce. Candal. Primeira visita ao território de acção:

Manhouce é uma freguesia portuguesa do concelho de São Pedro do Sul, com 40,53 km² de área e 647 habitantes (2011). Densidade: 16 hab./km². Fica no maciço da Gralheira, entre Porto e Viseu. Centro de um polígono de santos populares célebres: São Macário, Santa Mafalda, Senhora da Saúde, Senhor da Pedra. Manhouce era atravessado por uma via romana que, saindo do Porto, passava por ali, rumo a Viseu. Sensivelmente a meio caminho entre as duas cidades, esta aldeia era local obrigatório de pernoita de recoveiros e almocreves que por lá estabeleciam o intercâmbio sócio-cultural entre as gentes do litoral e do interior. É por isso que a sua etnografia tem muitas influências do Douro e da Beira Litoral. 

Candal foi uma freguesia portuguesa do concelho de São Pedro do Sul, com 15,51 km² de área e 118 habitantes (2011). Densidade: 7,6 hab/km². Foi extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2012/2013, sendo o seu território integrado na União das Freguesias de Carvalhais e Candal. Mas isto só é possível aparecer aqui porque estamos em 2015. Quando por lá passei, qual recoveiro ou almocreve, Candal era Candal.


  • E de repente descobrimos o sítio onde vamos estar mais vezes. Mesmo nos cenários mais distópicos, existe sempre um sítio assim. Existe = aparece. Chama-se Ouressa e sobre ele falarei em diários subsequentes. Tem gatos, artistas, aguardentes e figos. E uma montanha com o mesmo nome. Ou será ao contrário? Nunca se sabe bem quem nasceu primeiro, não é?
  • De regresso ao Retiro da Fraguinha, vejo mais um episódio da Food Revolution do Jamie Oliver, o único celebrity chef conceptual. E vou a correr ter com a Joana, a cozinheira, que me serve o paraíso dentro de uma tigela:

video





































CHEF RØ NA GRALHEIRA é a 3.ª e última temporada do TV show "Vou À Tua Mesa" e foi produzida pela Binaural, na Serra da Gralheira, em 2011.

3.7.15

FINGER FOOD™




[...]

PEIXE

Cortina. Sobre um fundo minimal, ouve-se um sample de meio segundo da música “Toca Me” (Fragma), repetido ad nauseum. Uma luz intensa ofusca o público, mas ninguém ousa abandonar a sala. O cenário é agora uma boîte dançante, com bolas de espelhos, manequins sem cabeça, televisões avariadas, e outros fetiches mal resolvidos com os anos 90 por todo o lado. Os empregados de balcão são os Army of Lovers e os actores estão agora vestidos de palhaços McDonald’s. Entra CU’MIDAS, o rei-vai-nu, despido de ouro falso da cabeça aos pés, glitter dourado do Chinês na ponta dos dedos, lentes de contacto verde-Pisang Ambon, o cabelo pintado de uma cor irónica (tipo caju) e uma referência ornamental qualquer ao Terceiro Mundo (por exemplo: uma bindi no meio da testa). Pára no centro do palco, lambe o dedo indicador e levanta-o no ar, como que a descobrir o Norte pelo andar do vento. A seguir entra RODRIGO GARCIA com uma cabeça de porco verdadeira enfiada na sua própria cabeça. Mira o corpo coberto de ouro de CU’MIDAS e atira-lhe com um maço de dólares falsos. Ruído ensurdecedor, mudança drástica de luz. Começa o diálogo:

CU’MIDAS — Conjugas tudo no mais-que-perfeito (simples, composto ou mistura de ambos), transformas o infinitivo dos verbos em substantivos (sobretudo nos títulos) e substituis "cheio" por "pleno" para dar assim um ar latinizante à coisa. Comprova-se: escreves poo’esia!

RODRIGO GARCIA — Esse teu amor passional precisa de fundamentação conceptual…

CU’MIDAS (apontando para a porta do Bar 49) — A diferença entre dar o cv e dar o cu é quase nula!

RODRIGO GARCIA (cínico, comendo sushi) — Que nigiri que tu és!...

CU’MIDAS — Justamente! Eu cá nunca vi nenhuma árvore a morrer de pé. Proponho uma reforma estrutural de todas as metáforas de uso corrente.

RODRIGO GARCIA — Verosimilhança é o conceito que aplicas quando o que vês parece mesmo mentira!

CU’MIDAS — Ó meu grandessíssimo paneleirão! Mas tu já viste alguém a cozinhar com o “coração”? Ou com “amor”? (diz isto enquanto abana os dedos freneticamente, como que a tocar air piano)

RODRIGO GARCIA (atirando pó dourado ao ar) — Todos precisamos de um milagre… Em bolo bukake!

CU’MIDAS — Do caco, estúpido!

RODRIGO GARCIA (cantando) — Quando eu queria que dissesses sim, deste-me um não que até meteu medo! (repete uma vez)

CU’MIDAS (cantando mais alto, mão na anca) — Agora queres mas eu digo assim: chupa chupa chupa, chupa no dedo!

(A receita tradicional da Sopa Dourada do Convento de Santa Clara começa a passar em rodapé. Os dois actores, agora vestidos de Batman e Robin, desatam à chapada pós-dramática enquanto berram “Cala-te!” e “¡Cállate!” alternadamente. Cortina.)

[...]


CARNE

O cenário é essa catedral do empreendedorismo artes-anal óleossiponense chamado A Padaria Portuguesa. Várias pessoas de calça arregaçada e sapato-sem-meia comem cenas com rúcula, mozzarella e tomate seco em pão que parece que foi polido, envernizado e retocado em Photoshop. As paredes estão cobertas de monos de plástico a imitar o rústico. Os empregados são todos licenciados em Design Gráfico: têm todos cara de Helvetica. Os clientes falam uma língua que não dominamos; deve ser €uropeu. Das colunas sai uma música dos Deolinda que desafia o ouvinte a não ir ao CCB. Entra a SANTA PADROEIRA DOS CLICHÊS, vestida com um vestido branco e dourado para os pobres, azul e preto para os que fingem a pobreza que deveras sentem. Traz um microfone-à-Madonna, parece que vai dar uma TED talk, mas fala como se fosse programadora cool’tural. Chama pelo ART’LETA, que entra a correr, mascarado de emergente:

SANTA PADROEIRA DOS CLICHÊS — Ó cagão, anda cá! Estou a pensar abrir um restaurante chamado El Bullying. Que achas? (ri-se)

ART’LETA (com sotaque de todas as regiões do País, menos de Lisboa) — Ai, num sei… Ó Boz! Booooz!!! Puosso responder a iesta porgunta? Boz?!

SANTA PADROEIRA DOS CLICHÊS — És mesmo deficiente, pá! Não percebeste que a pergunta tinha rasteira? Estava a testar a tua endurance conceptual, ou seja, a tua stamina social, a ver se te aguentas de joelhos (a rezar!) até à próxima saison, ou se és dos que cospe no prato que come à primeira oportunidade!

ART’LETA (ajoelhando-se, para receber a medalha de ouro) — Prumiêto resistire à tentaçom de fazêre seija o que fuor cum inspiraçom maijómenos diréta na iárte cuntextuále, na crítica institucionále, e na relaçom do artista cu pudêre. Pêlo que precebi, issu bai sêre a ciêna. E iêu soue intuleránte a ciêna. Quándo istoue em ciêna, fico tuôdo inxádo, hiper-bêntilo e fico cum buntáde de faziêre audições…

SANTA PADROEIRA DOS CLICHÊS — Pronto, já chega! Vai lá distribuir cartazes.

(Saem os dois, de braço dado, a caminho da Baixa. A palavra mais vezes repetida é “interessante”.)

[...]


[excerto do texto FINGER FOOD™, publicado no número inaugural da revista RETINA, um projeto do Colectivo 111]

22.5.15

CHEF RØ NA GRALHEIRA

DIÁRIO #1
18 de Setembro de 2011
Porto/Viseu/S. Pedro do Sul/Nodar






Notas avulso:


  • Às vezes, é mesmo bom voltar do macro para o micro. No ano em que decido abandonar Lisboa, o primeiro projecto que faço é sobre vacas.
  • Processo criativo: esperar para ver.
  • O exótico é justamente o que está tão perto, mas tão perto de nós, que nem vemos. Miopia selectiva.
  • Ainda nem saí do autocarro e já vi uma placa a anunciar uma aldeia chamada PARAÍSO. Sem querer ser spoiler, posso já adiantar que no final da temporada, e durante uma outra viagem errante pelo complexo montanhoso mais aridamente belo de Portugal, vou avistar uma placa a anunciar uma aldeia chamada ALDEIA.
  • Gostava muito que este blog fosse manuscrito. Fazia todo o sentido, mais ético que estético.
  • Felizmente, a tradição é o que era. Abandonei Lisboa este ano e com ela as "produções fictícias".
  • Aterro em Candal e a primeira coisa que faço é ir à missa. Parece-me lógico. Na igreja, o padre diz que uma videira que não é sulfatada, não dá fruto.
  • Ainda não comecei a cozinhar (ou a ver cozinhar; são sinónimos), e no entanto já tenho uma receita escrita nas alíneas anteriores.

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10.4.15

À LA CARTE

MUSSELINE DE MANDIOCA
C/ PICADINHO DE BIFE DA VAZIA

por Chef Strapazzolli





Um oceano e mais de 8 mil quilômetros me separam do meu país, e uma das coisas que mais sinto falta é a comida. O Brasil tem uma riqueza e variedade imensa de alimentos e um dos meus favoritos é a mandioca, também conhecida por aipim, macaxeira e outros nomes de origem indígena. Gosto de dizer que mandioca (assim como açaí, tapioca, etc.) é comida de índio. É uma raiz, fonte de dois carboidratos diferentes, e não contém glúten. Uma maravilha culinária. Pode-se fazer chips de mandioca, fritar ou simplesmente cozer. Encontrei no Continente e resolvi preparar em forma de musseline, uma espécie de puré. Cozi a mandioca em água e sal. Quando um pouco da água evaporou (logo após a primeira fervura), ‘dei um susto’ na mandioca. Dar um susto consiste em acrescentar um copo de água fria — é o susto que a água fria dá na mandioca quente! Isso provavelmente é coisa que gente velha acredita: deixa a mandioca mais, digamos, macia. Isso aprendi com a minha mãe, que nem é tão velha assim. Melhor prevenir do que remediar. Deixei ferver novamente e já estava no ponto. O correto seria processar, mas na falta de um processador, bati a mandioca com creme de leite e uma colher de manteiga derretida no liquidificador até ficar com a textura de um purê cremoso. Adicionei um pouco de sal e a musseline estava pronta. Há quem opte por bater o creme de leite em chantilly, mas acho demasiado trabalhoso e no fim o resultado é quase o mesmo (com chantilly a musseline torna-se mais aerada). Eu servi com picadinho de bife da vazia, que é super tenro e saboroso. Picadinho todo mundo sabe fazer, não é? Alho, cebola, tomate, azeite, sal, pimenta, cheiro verde. Esqueci de dizer que a mandioca, além de ser deliciosa, também é de fácil digestão e fornece muita energia.

©Célio Strapazzolli
viva-radio.com/strapazzolli

5.4.15

CHEF RØ DE VOLTA AO MINHO















Em jeito de conclusão à série da intervenções/aparições artístico-culinárias que "interromperam" por 4 vezes a temporada "Chef Rø goes Alentejo", o Ministro da Comida [aka Nuno Miguel] escreve um último testamento para acompanhar a segunda temporada "Chef Rø de volta ao Minho" e inaugurar a terceira e última temporada "Chef Rø na Gralheira". Os 4 nostradâmicos anúncios podem ser revistos nos seguintes links:


Quase 4 anos depois, o quinto e último imperial testamento não esgota as possibilidades de inflexão pós-dramatúrgica do que é ou pode ser o Sensual Absoluto™, mas lança a derradeira pista para a erradicação final e total da Espécie. Pela primeira vez disponibilizado neste blog, o Aviso Final.

Photo ©Dorijan Kolundžija


É CANIBAL, NINGUÉM LEVA A MAL
Discurso do Ministro da Comida – in Quartel General da Idolátrica, Outubro de 2011


O canibalismo edifica as sociedades, e configura o fundamento filosófico e económico de todas as grandes uniões federais, arcana ordem do mundo, secreta conspiração apocalíptica, fisionomia mascarada do individualismo, do colectivismo, e de outras eucaristias dominicais e acordos de reconciliação.

No canibal contemplamos o grande festival da cultura nas garras da profusão de recursos, em autofagia para seu próprio sustento, como consumismo em massa e venda de todos os bens possíveis fornecidos pela forma actual dos mercados auto-devoradores. Este espectáculo de canibalismo acrescenta a dimensão referida por Walter Benjamin, através da qual a humanidade de hoje consegue transformar a sua pior alienação em deleite estético e espectacular. O devir canibal da nossa cultura tem ainda razão mais prosaica, ligada a contingências meramente materiais e demográficas: num mundo em que o crescimento da espécie humana é constante, esta acabará inevitavelmente por se ter a si própria como único alimento.

Os Católicos (futuristas e apocalípticos como sempre) consomem desde sempre dois tabus: não só comem o homem em Cristo, e por ele a humanidade inteira, como também conhecem as delícias niilistas da teofagia, no banquete eucarístico da matança e consumo da carne de Deus, já para não falar dos grandes churrascos da Inquisição. Há muito que entendem todos os mistérios antiquíssimos da transgressão do ser, a morte divina que nos ensina as alegrias do fim do humanismo, porque, se Deus morreu, então o Homem pouco mais é que alimento.

A carne e o espírito de Deus, assim como as barrigas de freira e os papos de anjo, fazem parte da gastronomia tradicional. O espírito, como todos sabemos, é inefável, não tem sabor, surge como silêncio na partitura, e, à semelhança do wasabi nos pratos de sushi, serve para que consigamos distinguir os sabores. Quanto à carne humana, não tem muito que aprender, basta que esta substitua a carne de porco nos pratos mais populares, porque o sabor é exactamente o mesmo. Febras e entremeadas, mãozinhas guisadas, rojões e sarrabulho, sandes de coirato, chouriços, secretos na brasa, banha, e tudo aquilo que nos aprouver fazer com porco, resulta lindamente com carne humana. Podemos encontrar esta relação entre o humano e o porco nas expressões literárias mais antigas, como é o caso da Odisseia, na descrição dos banquetes de Circe, em que os pobres marinheiros davam à costa e eram embriagados com estranhos filtros mágicos de artemísia, coisa que os induzia a ter comportamentos porcinos, para melhor serem conduzidos pelos matadouros da indústria suinícola local.

O inconsciente colectivo também incluiu a antropofagia nas lendas da doçaria. Não era em vão que a casinha de chocolate albergava uma velha confeiteira antropófaga com predilecção por crianças — é que, como todos sabem, as carnes infantis são sempre mais delicadas e propícias à execução do medieval “manjar branco”, pudins e gelatinas, extraídos após longas horas de fervura em lume brando. Sabemos também que os Astecas, para além de venderem carne humana nos mercados — fresca, em salmoura e fumada — possuíam, na sua gastronomia, uns biscoitos secos muito populares, confeccionados com mel e corações humanos desfiados, que consumiam nas festas solsticiais.

Nos nossos tempos, a morte do humano não deixa de ser celebrada com requintes de androfagia. Rick Gibson entendeu que comer carne humana consubstancia o rito de passagem em que o indivíduo penetra na esfera transpessoal. Podemos datar nos anos oitenta, através das suas performances, a origem das primeiras receitas de gastronomia pós-humana. Estas consistiam em pequenos hors d’oeuvre de pâté de amígdalas de criança, cobertos por finas fatias de testículos frescos de adulto, e deglutidas perante uma plateia atónita e incrédula. Como sobremesa para tal petisco surge hoje, como ‘retorno do recalcado’ em versão light, o mais recente gelado de leite materno, outra controversa receita a denunciar, claramente, que estas delícias se tornarão, em breve, próprias para o consumo do Zeitgeist.

Perante os cenários negros que se aproximam e que, de certa forma, confirmam temas niilistas antigos, o indivíduo só pode encontrar apoio e raiz na sua natureza mais profunda, no "ser", na identidade primordial e imutável. A afirmação de fidelidade a este ser é o que dá conteúdo à moral niilista, é como que a sua orientação geral por assim dizer. Na realidade ôntica avistamos a primeira terra seca em que o verdadeiro canibal não se pode deter, uma vez que a mesma indeterminação que encontramos em relação à crença na 'Vida' aparece novamente com o problema ontológico. Sob o signo do puro "ser", devemos querer assumir e afirmar absolutamente que somos, mesmo quando, na nossa natureza, não há nada que corresponda ao ideal positivo do super-homem anunciado pelos filósofos, quando a própria vida e a sua corrupção mostram como destino a perversidade, o declínio e a ignomínia. É por isso que, se alguém adere ao referido princípio do ser, o único valor ético real seria o da "autenticidade"; em última análise, aquele que, sendo decadente por natureza, consegue ser autenticamente ele mesmo, e tem a coragem de existir absolutamente em si mesmo, será maior do que aquele que gosta de desenvolver uma "superioridade" evolutiva, que não se fundamenta em autênticas formas de estar, e que se tenta agarrar à postura hirta da cultura programada e esterilmente iluminista.

Vejamos, como exemplo disto, a antítese ética do canibal: o “Vegetariano”. No vegetariano nada há de autêntico, tudo é parecer em vez de ser, exumação do espírito bragantino serôdio, com as suas as ordenações e chulé rançoso de Maria da Fonte — tudo nele é proselitismo, fome de carne transformada em histeria militante. E, no entanto, o vegetariano encarna os mais finos ideais do super-homem iluminado, búdico, a tresandar a ideias cegas de tanto Aufklärung, e por isso não consegue enxergar que um mundo constituído apenas de animais herbívoros provocaria a extinção das plantas, e em poucas semanas colapsaria em termos ecológicos. A estes opõe-se a lógica sapientíssima da antropofagia, porque não há melhor forma de apagar a pegada ecológica da humanidade do que comer, de coentrada, os pezinhos que as marcam no ecossistema. Porém, não há seita ecológica New Age que não professe, de forma agressiva, o dogma da alimentação exclusivamente vegetal. E esta é uma mania que tenta ressurgir no Ocidente desde os clérigos pitagóricos, como sinal de boas maneiras próprio das almas espiritualmente mais evoluídas em conflito com as criaturas perdidas que consomem carne, sem sequer pensar no consumo de carne humana, actividade própria de seres demoníacos. Nada poderia estar mais longe da verdade! Sabemos bem que, desde os tempos védicos, a antropofagia está ligada às mais altas divindades como Saturno, Durga, Dionísio e Osíris, e é apanágio das confrarias esotéricas mais insignes, como é o caso dos tântricos Kapalica na Índia, passando pelos santos antinomistas das grandes tradições religiosas, os xamanes do Árctico, as Bacantes, ou os Sufis Malamathia. Não será pela sua retórica indigente, parca de argumentos, que os vegetarianos nos vão convencer a enveredar por esse vício ascético-Übermensch tão apropriado a bestas herbívoras como Hitler. Só as genuínas elites alcançaram cumprir a antropofagia sensual, que traz em si o mais alto desígnio da vida e impede todos os males reconhecidos pela psicanálise — os males catequéticos.

O canibal enforma igualmente uma qualidade contrária a essa ideia de que qualquer um pode ser o que quiser, desde que se aplique, se eduque e treine nesse sentido, e manifesta-se plenamente incompatível com o self-made man da cultura do materialismo dialéctico tardio. O Canibal SABE bem que a "abertura de espírito" da sociedade mercantil, tantas vezes apregoada, é apenas a máscara da sua falta de forma interior — essa omeleta de mioleira cozinhada em microondas de aparelhos televisivos. O mesmo vale para o seu "individualismo". O individualismo e a personalidade não são a mesma coisa: o indivíduo pertence ao mundo informe da quantidade, a personalidade ao mundo superior das qualidades. O canibalismo assume-se como resposta a toda a cultura que é a refutação viva do axioma cartesiano "penso, logo existo": porque hoje só florescem indivíduos que não pensam, mas existem. O consumista, “psique” pueril e primitiva, no seu egoísmo imbecil de máquina desejante, não tem forma característica, está assim sujeito a todo o tipo de padronização programada. Porém, o antropófago SABE que a estrutura da história não é evolutiva, mas sim cíclica. Na realidade, nunca saímos das cavernas do Paleolítico. Ele está ciente de que as civilizações mais recentes não são necessariamente “superiores” àquelas ditas “primitivas” porque se estruturam em torno do ideal canibal — pelo contrário, estas mais recentes podem ser, de facto, senis e podres. Por outro lado, há sempre uma correspondência necessária entre os estágios mais avançados de um ciclo histórico e os mais primitivos. Quando os filósofos idealistas nos falam do Fim da História, não entendem que estão a viver a fase final da Europa moderna, a Europa do “faroeste”, no sentido de reductio ad absurdum dos aspectos mais negativos e caducos da civilização ocidental. O que antes existia de forma diluída, é ampliado e concentrado, manifesto na atrofia mental da incompreensão para com todos os interesses superiores, nos horizontes limitados, circunscritos a tudo o que é imediato e simplista, com a consequência inevitável de que tudo seja banalizado, básico e nivelado para baixo, até que esteja privado de toda a vida intelectual.

Por tudo isso, e remando contra o realismo social, vestido e opressor, cadastrado por Foucault, preferimos a realidade sem complexos, sem insânia, sem profanações e sem presídios do canibal. Refutamos assim a vida que decai no mero mecanicismo, previsível, endividada até ao tutano no Entrudo entediante dos mercados, em que o sentido do “eu” pertence inteiramente ao nível físico da existência. Só assim o Europeu típico do Fim da História deixou de ter dilemas espirituais, ou complicações: é um conformista idiota. Esta mentalidade patética só pode ser comparada a algo jovem e novo por equívoco. Como se atreve pois esse ignorante a condenar os ditos primitivos Canibais? Esses que, efectivamente joviais, reclamam para si a transgressão das transgressões?

Uma estatística médica recente, feita na União Europeia, demonstrou que 85% dos jovens são desprovidos de desejos sexuais fortes; em vez de satisfazerem a sua libido, procuram prazer narcisicamente no exibicionismo, na vaidade e no culto estéril do fitness e dos Health Clubs. Por causa da sua condição financeira de pura penúria, o “jovem”, menor de 45 anos, é sentenciado a um certo método de sobrevivência nada apetecível. Mas, perpetuamente contentinho por ser aquilo que é, ergue a sua pelintrice vulgar à categoria de "estilo" de vida cool: a boémia. Mas a "boémia", aquém de ser solução original, nunca é realmente sentida a não ser na continuação da ruptura irreversível com o meio cultural. Os adeptos da boémia cingem-se, pois, a consumir a tradução fast-food do que não passa, na melhor das hipóteses, de medíocre remédio. Até o escárnio das velhinhas saloias, por isso, eles merecem. Mais valia que se dedicassem a comer-se uns aos outros, porque, no fundo, tudo o que fazem se reduz à transacção canibal dos valores simbólicos, mas pervertida, mascarada. Deste modo, no século XXI, o amor foi-se transformando paulatinamente na caricatura do canibalismo.

O mesmo se passa na política.

Basta removermos a máscara da "democracia" para se tornar claro em que medida esta é apenas o instrumento de uma oligarquia que prossegue o velho método de “acção indirecta”, assegurando a possibilidade de vampirização e fraude em grande escala dos muitos que aceitam um sistema hierárquico, porque o confundem com justiça e mérito. No entanto, o canibal é o contrário de todas estas catequeses. Estamos fatigados de todos os cônjuges católicos, desconfiados e dramáticos, porque Lacan acabou com o enigma do desejo e com outros temores da psicologia Pop. Afinal, o que nos derrubava a verdade era a fatiota, a gabardina entre o mundo interior e o mundo exterior. Todavia, o canibal pode bem progredir, em reacção contra o homem engravatado, neste país de filhos do sol, amado com toda a impostura da saudade, pelos imigrantes, pelos traficantes e pelos turistas, na egrégia nação da fava rica. Nele habitará feliz, porque nunca tivemos realmente gramáticas, nem ortografia, nem bibliotecas notáveis, nem academias. E nunca soubemos o que era educado, suburbano, limítrofe ou metropolitano. Calaceiros no mapa-múndi e à beira mar cultivados, a nossa sinceridade já é intrinsecamente participante na rítmica religiosa do canibal.

O juízo recusa-se a assumir a consciência sem o corpo, e o antropomorfismo exige a vacina canibalesca. Para nossa estabilidade, contra as religiões meridionais, as inquisições visíveis do império europeu, só devemos observar o mundo oracular. Basta exagerar o nosso típico atavismo ligado às coisas salazarengas e ir mais longe, recuar em frente para a origem perdida, a Idade do Ouro, o tempo em que possuíamos a justiça pela codificação da desforra, as ciências como Magia codificada, e metamorfose contínua do tabu em totem, e pensar que nunca fomos catequizados, gostamos é de procissões e romarias. Às matronas minhotas de bigode não falta nada, basta que voltem ao estado canibal, porque de resto já têm tudo: a linguagem surrealista; saber transpor o enigma e a morte com o amparo de algumas estruturas gramaticais simples, mesinhas e adivinhação; as migrações como fuga aos estados tediosos, às escleroses urbanas, às conservatórias do registo predial; mais a ignorância verídica das coisas e o espírito de autoritarismo ante as crias. Muito antes dos Fenícios, dos Romanos ou dos Egípcios descobrirem o império, no território lusitano já se tinha descoberto a felicidade — e é isso que temos de reencontrar, porque matar a fome é a prova dos nove.











10.2.15

RESTAURANT DAY



Ou o carnaval dos food lovers

Eu já andava a namorar o Restaurant Day desde o ano da sua fundação (Helsínquia, 2011), quando ainda se chamava Ravintolapäivää (no original Finlandês) e estava prestes a tornar-se no evento internacional que é hoje. Dois anos depois, numa das minhas viagens espirituais à Maamme Suomi, em Agosto de 2013, decidi participar: juntei-me a um outro ex-Masterchef (Klaus Ittonen) e juntos abrimos o nosso pop-up restaurant de comida luso-finna na Galleria Nunes, no número 17 da Pohjoinen Rautatiekatu de Helsínquia. Na edição seguinte (Novembro), repetimos a experiência, mas "ao contrário": veio o Klaus a Portugal e juntos servimos um menu de degustação de pratos finlandeses com um toque "minhoto" na Miss'Opo (Porto). No início do ano corrente, dei o passo óbvio: tornei-me embaixador do evento em Portugal. Quem me conhece, sabe que eu tenho uma afinidade meio doentia com a Finlândia e outra não menos fetichista com a comida, por isso não é de estranhar que me tenha apaixonado por um projecto que junta estas duas coisas através de um filtro que explica quase tudo aquilo que faço/digo: por um lado, a total (e radical) democratização da prática gastronómica; por outro, a "hipsterização" dessa prática (vivam as redes sociais!) colocada no único espaço onde ela é suportável — a relação que se estabelece entre as pessoas, com as pessoas e para as pessoas, através de um elemento-pretexto que é a comida. Tudo o resto é, como aliás o subtítulo do projecto em Inglês sugere, "carnaval": dos temas que se escolhem ao tipo de comida que se serve, do espaço que se ocupa ao tipo de clientes que se atrai, das estratégias de "marketing" caseiro que se inventam aos dispositivos documentais que se montam para capturar momentos especiais às garras do efémero. Tudo isto me excita por razões diversas, sendo a primeira (e mais importante) essa dimensão meramente enunciativa da "marca" Restaurant Day, que torna os participantes/aderentes (e respectivos "clientes") os verdadeiros protagonistas do evento. Como se de um simples hashtag se tratasse, Restaurant Day funciona como uma espécie de carimbo, ou seja, uma marca de identificação, um símbolo universal que comunica uma ideia de pertença, assinando uma identidade global quando activado pelos participantes. Trata-se de um projecto sustentado por uma qualquer ideologia comunitária, sim, sem no entanto cair nos lirismos utópicos ou ceder às perversões sócio-políticas habituais nesse tipo de empreendimentos... É que os protagonistas do evento são MESMO os participantes, não são os gurus finlandeses da ideia, não são os promotores/embaixadores regionais, não são os administradores das dezenas de websites (páginas Facebook, food Tumblr's, Flickr's e Pinterest's alusivos ao tema/evento), não são os food bloggers que se aproveitam do hype inegável do acontecimento, e também não são os inúmeros prémios (turísticos, gastronómicos e outros) que a organização já arrecadou na Finlândia durante os últimos 3 anos.

Contrariamente a outros eventos de formalização similar (e existem às centenas...), o Restaurant Day aposta numa total "desresponsabilização" autoral dos impulsionadores iniciais (a quem cabe, apenas, a gestão do website, a definição das 4 datas anuais e a manutenção dos dispositivos documentais e de arquivo). Ou seja, não há, tradicionalmente falando, directores, CEOs, gestores de marca, ou RPs. Também não há sponsors, nem patrocinadores oficiais. O Restaurant Day é, na sua essência, um ORGANISMO, mais do que uma organização. E ninguém ganha dinheiro com isso, a não ser, lá está, os participantes — amadores ou não, experimentam o seu "negócio" culinário durante 24 horas, 4 vezes por ano, vendendo os seus signature dishes onde querem (em casa, na rua, numa galeria, num centro comercial, num parque de estacionamento...), quando querem (ao pequeno-almoço, ao brunch, ao almoço, ao jantar, à ceia, ao after hours...), a quem querem (amigos, desconhecidos, colegas de trabalho...), e como querem (de bicicleta, à janela, em modo supper club, ou dinner party, ou vernissage, numa roulotte, numa barraca de feira, na mala do carro, no vão de uma escada, em modo pregão...). Devem, contudo, praticar preços acessíveis — mais do que competir directamente com os restaurantes convencionais (que podem, aliás, participar, desde que realizem um menu especial a um preço especial para esse dia), pretende-se criar alternativas ao que já existe no roteiro gastronómico das cidades. A questão do preço não é, de todo, um dado banal; trata-se de um pressuposto ético em cima do qual se ergue toda a filosofia Restaurant Day: um organismo feito por todos, para todos, e com todos, sem os elitismos totós que assistem à grande maioria dos eventos gastronómicos de grande envergadura.

Restaurant Day é assim sobre o prazer de estar próximo, é sobre a partilha, é sobre a felicidade, é sobre a oportunidade de construirmos um Mundo melhor, é sobre o espírito de equipa, é sobre a solidariedade, é sobre o sentido próprio da humanidade, é sobre a vizinhança, em suma, é sobre todas as coisas que fazem parte do campo semântico do "piroso". Sem cedências! Restaurant Day abraça isso tudo com convicção, e faz disso bandeira e imagem de marca. Porque Restaurant Day acredita mesmo que é possível mudarmos o Mundo se nos juntarmos à volta de uma mesa a comer; na sua missão subsiste essa maravilhosa utopia de dar aos 4 dias anuais (um por cada estação do ano) a mesma dimensão que têm outros feriados ou celebrações internacionais (como o Natal, por exemplo), quando toda a gente, esteja onde estiver, sabe o que tem a fazer, e celebra sem ter que dar justificações a ninguém. E o Restaurant Day é isso, só que sem credos, sem política, sem geografia e, acima de tudo, sem Kapital. Mais imagem que coisa, Restaurant Day é uma ideia geral/global que se particulariza por milhares de ideias possíveis, no Mundo inteiro. É suficientemente flexível, portátil e partilhável para dela se fazerem todo o tipo de interpretações/recriações, e é, acima de tudo, de acesso livre e descomprometido. Uma materialização quase perfeita do meu universo sensível (artístico e não só!), que me predispus a ajudar a disseminar em território português. Convido assim todos os food lovers de Portugal a juntarem-se ao resto do Mundo e a inundarem as ruas de comida já no próximo dia 15 de Fevereiro de 2015! 








COMO FUNCIONA?
Qualquer pessoa, seja qual for o seu background profissional, pode abrir o seu pop-up restaurant durante um dia. A ligação ao evento geral consubstancia-se numa simples inscrição online, à qual poderão posteriormente aceder, através do website ou da aplicação para smartphones, os possíveis clientes, estejam onde estiverem. Nos seguintes links pode ser encontrada toda a informação necessária:

WEBSITE [inscrições, normas, informação geral]
FB INTERNACIONAL
FB PORTUGAL

Para esclarecimento de dúvidas, podem pedir ajuda aos embaixadores:

Rogério Nuno Costa [Porto/Norte]: rogerio.nuno.costa@gmail.com
Filipa Valente [Lisboa/Sul]: filipa.valente@tasteoflisboa.com



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